Situações embaraçosas

 

Raquel gostava de pensar que era atleta, no interior do seu fato de treino cor de beringela, acelerava rua abaixo. 

Carregada de folhas de papel em direcção a tabacaria. Eram quase 7h, estava quase a fechar… 

-Bom tarde. Dizia sónicamente por quem se cruzava. 

Um grupo de rapazes, virava o pescoço para admirar Raquel. Raquel, sentia que estava a ser observada e sem parar lançou um sorriso convencido. 

Pum pas ! Ctra pum! 

 

Sem que desse por ela, estava estendida no chão, não tinha visto o degrau. Agora, tinha o grupo de rapazes ao pé dela.

 

(Como é que chegaram aqui tão depressa? pensou…)

 

As folhas tinham-se espalhado por toda a parte. 

-Queres ajuda? Disse um rapaz moreno, esticando-lhe a mão. 

-Não, estou bem, disse, levantando-se como se fosse uma mola.

 

Sacudiu as calças estava vermelha de vergonha, apanhou as folhas e depois continuou a correr, para não dar parte fraca.

 

Mas ao virar da esquina quando já não avistava ninguém começou a coxear. O atacador do seu teni tinha-se desapertado. 

Baixou-se para o apertar, o telemóvel cai-lhe do bolso e desmonta-se em peças no chão, uma senhora baixa-se para ajuda-la a apanhar as peças. Raquel, não a vê, levanta a cabeça e dá-lhe uma cabeçada. Ficam as duas agarradas a cabeça.

 

-Não a tinha visto…

 

Raquel pede desculpa à senhora, esta insiste em ajuda-la mas desta feita, com atenção à cabeça de Raquel. Segue  caminho,começou a chover, agora é que tem mesmo que correr senão molha as folhas de papel, corre, corre.

 

Molhada como um pinto atravessa a estrada.

 

O Sr. Lopes está a fechar a porta…

 

-Espere! Espere!

 

O homem olha para trás.

 

-Sr.Lopes tem mesmo de tirar umas fotocópias…

 

Ele volta a abrir a porta agarra nas folhas…

 

-Mas isto está tudo molhado! e borrado! E tem tinta a escorrer!

 

-Lamento menina mas isto não dá para fazer nada…

 

Raquel arranca  as folhas da mão do Sr. Lopes

 

-Obrigada, rosnou.

 

Agora sobe a rua lentamente…

 

-Raquel?

 

-SIM? Olha para trás…

 

Era uma vizinha, a D. Custódia

 

-Tens as calças todas rotas no rabo.

 

 

 

 As crónicas da Ana

 

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